No Bairro Alto de Lisboa encontram-se diversos monumentos de interesse turístico e também de grande valor para a história de Portugal. É uma região bastante aprazível, onde se destacam, no Largo Trindade Coelho, as construções interligadas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o Museu de São Roque e a Igreja de São Roque. Além desse conjunto religioso, nos arredores do Bairro Alto ainda se encontram a Igreja de Santa Catarina, as ruínas do Convento do Carmo e o Convento de São Pedro de Alcântara.

Igreja de São Roque, no Barro Alto de Lisboa.

Entretanto, desse conjunto, sobressaem-se todas as partes construídas em madeira talhada e revestidas de ouro nas paredes laterais, na sacristia e no altar da Igreja de São Roque; assim como o altar da Capela de São João Baptista e todas as relíquias em ouro que estão expostas no Museu de São Roque. Tudo que ali reluz é ouro, e é bem possível que tenha sido o ouro apropriado do Brasil. O que mais chama atenção é a vestimenta religiosa (tipo de batina católica) toda confeccionada em fio de ouro, exibida no Museu de São Roque.

Capela de São João Baptista, no interior da Igreja de São Roque.

Apesar do tema controverso e que deixa a dúvida se o ouro foi apropriado do Brasil ou não, qualquer turista que visitar esses monumentos localizados no Bairro Alto de Lisboa pode querer relacionar os retábulos das igrejas, as peças do museu e os altares dourados com o ouro do Brasil, principalmente ao saber que a maioria daquelas obras foi realizada no século XVIII, período do apogeu do Ciclo do Ouro brasileiro. No entanto, faltam documentos que confirmem esse argumento. O que você acha?

Vestimenta religiosa confeccionada com fios de ouro, uma das relíquias da Capela de São João Baptista.

Como a exploração de ouro no Brasil começou ao final do século XVII e teve no século seguinte um período de grande produção e exportação, esse momento se confronta com o reinado de Dom João V, rei de Portugal de 1706 até 1750. O volume de ouro que chegou à metrópole, principalmente durante a primeira metade do séc. XVIII, é incalculável. Ele chegava na forma de pagamento do “quinto”, ou seja, era a quinta parte de toda a produção, logo, 20% do ouro produzido no Brasil foi para Portugal.

O altar da Igreja de São Roque é todo de madeira folheada em ouro, e o minério maciço compõe as peças sacras para as missas.

O rei Dom João V encomendou a construção da Capela de São João Baptista em 1740, tendo sido projetada por arquitetos italianos. Grande parte da capela foi construída na Itália e depois levada para Portugal para ser montada e inaugurada em 1752. Ela se destaca dentre as capelas da Igreja de São Roque, pela presença de mosaicos compostos de diferentes tipos de pedras decorativas encaixadas unidade por unidade. As relíquias da Capela em ouro maciço estão expostas no Museu de São Roque.

Relíquias em ouro da Capela de São João Baptista, no Museu de São Roque.

Durante o auspicioso reinado de Dom João V, a exploração de ouro no Brasil cresceu progressivamente. “Assim, em 1699, teria chegado 725 Kg de ouro a Lisboa e, em 1701, a quantidade já teria aumentado para 1.775 Kg” (informação do site: Wikipedia). Imagina-se que durante toda a realeza de Dom João V, o “quinto” levou para Portugal toneladas e toneladas de ouro que ora foram usados para pagamentos de acordos políticos contraídos com a Inglaterra, ora com as despesas de Portugal na Guerra de Sucessão da Espanha ou, ainda, para revestir os belos palácios e igrejas de Portugal.

Um tocheiro em ouro maciço, com alguns quilos de ouro, da altura de uma pessoa. Peça da Capela de São João Baptista, encomendada por Dom João V.
Mais ouro, bem provável, do Brasil para ofuscar os olhos.

Para concluir, posso esclarecer que, independentemente da beleza das peças sacras e das igrejas de Lisboa, mesmo naqueles momentos mais belos e auspiciosos de uma viagem, ter um olhar crítico para tudo que vemos e vivemos tem sua relevância. Então, que cada um faça sua análise. Concorda?

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