O prazer e a alegria de estar em Lisboa contagiam. As referências inebriantes vão do fado e do bacalhau a Fernando Pessoa e José Saramago, passando pelos bondes, azulejos, por Alfama e pela Sé Catedral. Ama-se ou odeia-se Lisboa, ninguém passa por essa cidade sem se sentir afetado de alguma forma. Eu amo!

A Sé Catedral de Lisboa, no bairro de Alfama.

Assim que cheguei à cidade, a motorista do transfer me indicou, como imprescindível, uma visita ao Museu Nacional do Azulejo. É claro que fui e amei! Foi muito interessante perceber que a direção do museu, nos créditos dos painéis, nomeou os islâmicos como impulsionadores da arte dos azulejos em Portugal. Gostei dessa bela citação histórica. Isso é Lisboa!

Corredor no interior do Museu Nacional do Azulejo.

Algo em Lisboa me fez sentir como uma criança que chega a um parque de diversões e não para de sorrir por ver tantos brinquedos. Essa grande alegria foi alcançada através dos passeios no bonde 28, que possui um ótimo trajeto, pois passa por diversos pontos turísticos da cidade. O percurso do bonde 28 começa na Praça Martim Moniz e termina no Cemitério dos Prazeres. Ele cruza o bairro da Graça, alcança o encantador bairro de Alfama, passa bem em frente da Sé Catedral e desce em direção à Baixa de Lisboa, passando pela Rua da Conceição, que se localiza entre a Praça do Comércio e o Rossio. Dali ele sobe para o Bairro Alto e segue em direção a outro ponto que adoro: o bairro da Estrela, com uma parada em frente à Basílica da Estrela. Depois de percorrer a linda cidade, ele chega ao seu ponto final, no Cemitério dos Prazeres.

O bonde 28 de Lisboa é um sucesso e uma alegria para os turistas na cidade.

Devido a esse percurso que passa por pontos turísticos bem aprazíveis da cidade, o bonde 28 caiu no agrado dos turistas e sempre se encontra lotado. Na Praça Martim Moniz as filas são quilométricas! Então, aconselho a alcançar o Cemitério dos Prazeres ou o bairro da Estrela para começar o percurso e assim conseguir um lugar para viajar sentado.

O bairro da Estrela é uma região tipicamente residencial de classe média em Lisboa, mas com destaque para alguns pontos de interesse para os visitantes mais atentos, entre eles: as ruas calmas e tranquilas, a Basílica da Estrela e o Jardim da Estrela.

Para encontrar os típicos moradores do bairro em seus passeios diurnos, eu indico caminhar pela Rua João de Deus, ladeira localizada ao lado da basílica, e ao final virar à esquerda na Rua dos Navegantes até chegar à Capela do Senhor Jesus dos Navegantes. Continuem o passeio pela Rua da Bela Vista à Lapa, em descida, até a Calçada da Estrela.

Uma típica moradora do bairro da Estrela, na Rua João de Deus.

A Basílica da Estrela foi construída a partir de um pedido de Dona Maria I, que fez voto de erguê-la caso tivesse um filho herdeiro do trono de Portugal. A vontade da rainha foi atendida e ela teve dois filhos: os príncipes D. José e D. João, e então a construção da igreja teve início em 1779, terminando em 1790. Dom José veio a falecer ainda criança, entretanto Dom João assumiu o trono no lugar da mãe. Em 1808 Dom João VI chegou ao Rio de Janeiro com a Corte portuguesa para escapar das invasões francesas.

A Basílica da Estrela, monumental igreja de Lisboa.

A Basílica da Estrela, num estilo barroco tardio e neoclássico, é uma das igrejas mais impressionantes de Lisboa e merece uma visita, não somente para ver os belos e monumentais santos da fachada, como também se emocionar com o interior decorado com mármore cinza, rosa e amarelo.

O Jardim da Estrela é uma área arborizada onde se destacam elementos singelos e muito bem preservados, apesar de ter sido inaugurado em 1852. Lá se encontram o lago de patos e carpas, um coreto verde que serve de palco para músicos durante os meses de verão e outros destaques como a Fonte da Vida e o Tronco Esculpido, escultura em madeira.

O lindo coreto verde do Jardim da Estrela, no bairro da Estrela.

Depois de muito passear por Lisboa no bonde 28, fiz uma parada no bucólico bairro de Alfama, logo me dirigindo ao bar Alfama Gourmet, onde me sentei e pedi uma taça de vinho verde gelado, já que naquele dia o calor chegou aos 38°C. O papo foi acalorado, tanto com a dona do bar, uma angolana, como com um casal de espanhóis de Sevilha. Passei momentos revigorantes nesse bar.

O bar Alfama Gourmet, em Lisboa.

Alfama é uma das mais antigas regiões de Lisboa, sendo bastante pitorescas as suas ruelas e escadarias estreitas, moradias rústicas, varais cheios de roupas que unem prédio a prédio, além dos moradores que aproveitam o seu dia a dia de forma tão natural, sem se molestarem com a presença de tantos turistas. Às vezes, quando caminhamos pelo bairro, parece que eles nem sentem a nossa presença e simplesmente vivem a vida. Essa naturalidade na vida lisboeta, principalmente em Alfama, é algo incrível!

Uma das muitas escadarias do bairro de Alfama e o peculiar varal de roupas que une prédio a prédio.

Depois de muito passear por Alfama, optei por fazer a subida para chegar ao Castelo de São Jorge por um caminho diferente, iniciando no Largo Portas do Sol entre os números 84 e 86. Nesse ponto, comece a subir pelo Beco do Maldonado, depois vire à esquerda e alcance o Pátio de Dom Fradique, de onde se tem uma linda vista para a foz do rio Tejo. No caminho você passa por muros grafitados com cores de diferentes matizes. Foi um passeio interessante e adorável!

O caminho para o Castelo de São Jorge.

O Castelo de São Jorge é uma obra de rara beleza, um lindo monumento construído pelos muçulmanos no séc. XI para servir como fortificação, tendo sido o último reduto de defesa para a elite moura. Com a conquista de Lisboa por Dom Afonso Henriques, em outubro de 1147, o Castelo passou a ser utilizado para acolher a família real, a corte e o bispo da cidade até o séc. XVI. Foi durante esses quase cinco séculos que o Castelo teve o seu momento de maior apogeu.

O Castelo de São Jorge.

Que tal marcarmos uma visita a Lisboa? Estou certo que retornarei, pois vejo que ainda existe muito que viver e desfrutar naquela empolgante cidade. E ainda tem o melhor: não é um destino tão caro, como muitos pensam. Vamos?

Compartilhe com os seus amigos.
Share on Facebook
Facebook
Email this to someone
email
Share on LinkedIn
Linkedin
Print this page
Print

2 thoughts on “

Lisboa – Uma viagem ao passado com bonde e castelo”

  1. Adorei essa cidade, lugares fantásticos para ir, ótima comida, gente simpática e hospitaleira. Gostei muito do texto, está excelente. As fotos também estão ótimas. Parabéns. Um grande abraço.

    1. Obrigado pelos seus comentários Ricardo, eu estou tentado descrever os territórios de maneira que cada um sinta como se estivesse viajando e se emocionando comigo.

Gostou? Deixe o seu comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *