Chegar em Tbilisi é sempre uma grande aventura. Tudo começa com a escassez de opções de voos saindo da Europa Ocidental, já que a grande maioria chega à capital da Geórgia tendo origem na Europa Oriental ou na Rússia. Eu havia reservado uma passagem na Georgian Airways, direto de Amsterdam, mas a empresa cancelou o voo e fui transferido para outro, da Air France, com escala em Paris.

Europe Square. Ao fundo a Ponte da Paz e, mais à esquerda, a estação de teleférico que sobe até o Forte de Narikala.

Pretendo neste espaço não somente relatar os aspectos pitorescos de Tbilisi, mas também discorrer sobre os momentos de emoção que vivi naquela linda cidade. Vou tentar acender uma enorme vontade em cada um de conhecer o lugar, não só por suas opções de passeio e beleza, mas demonstrando o quanto os georgianos são acolhedores e gentis para com todos que visitam o seu país.

Rua Wine Rise, com lojas de vinhos, hotéis e restaurantes.

Minha viagem a Tbilisi começou bem antes de eu aterrissar, pois percebi o estilo despojado e simples dos georgianos quando, através de uma correspondência via site do Booking, a gerente Diana Kiladze, do Hotel Garden House, agradeceu por minha escolha e, entusiasmada, me informou que eu seria o primeiro brasileiro que ela teria o imenso prazer em receber. Mais adiante, dizendo-se colecionadora de ímãs de geladeira, perguntou-me se eu não me incomodaria em levar para ela um exemplar brasileiro. Levei três ímãs do Rio de Janeiro e fui recebido com enorme alegria. Ela me retribuiu com um lindo ímã, e em todos os momentos fui tratado com muito carinho, mesmo com toda a dificuldade de comunicação.

Hotel Garden House, em Tbilisi.

Com a dificuldade de entender as placas e letreiros dos transportes públicos no alfabeto georgiano, fiz a opção de conhecer a cidade a pé. Assim, no primeiro dia em Tbilisi, saí passeando do hotel em direção à beira do rio Kura (Mtkvari), onde temos na margem esquerda o moderno Rike Park e, do outro lado do rio, vislumbra-se a Cidade Velha. O Rike Park é um amplo espaço de lazer para moradores e visitantes, que tem o formato do mapa da Geórgia e possui várias atrações, sendo que a Sala de Concertos Rike (Rike Concert Hall) se sobressai por ser composta de dois enormes tubos de metal e vidro unidos pela parte posterior. É um projeto do arquiteto italiano Massimiliano Fuksas, que também serve como salão de exposição.

Vista panorâmica do Rike Park. À esquerda, os dois grandes tubos de metal interligados, onde funciona a Sala de Concertos. À direita, a estação de teleférico.

A Ponte da Paz, inaugurada em 2010, é uma obra futurista do italiano Michelle de Lucchi que se destaca à noite, quando se acendem milhares de lâmpadas de LED. Eu, particularmente, gostei muito da ponte iluminada à noite, pois forma um belo conjunto com outros pontos da cidade que também ficam iluminados.

A Ponte da Paz iluminada com milhares de lâmpadas LED.

Aos poucos fui me apaixonando por Tbilisi, mesmo que às vezes transpareça um tanto bagunçada, mas seu perfil multicultural, com a presença de russos, armênios, árabes e outros povos, faz com que a cidade extravase um charme especial, tornando-se autêntica e bem singular. Com relação à presença armênia na cidade, existe até hoje uma enorme polêmica quanto à destruição da Igreja do Evangelho Vermelho, ou Igreja Armênia Karmir Avetaran, pois o governo da Geórgia afirma que ela foi destruída em 1989 por efeito de um terremoto, enquanto fontes armênias afirmam que ela foi explodida. Polêmicas à parte, a igreja, que atualmente ainda se encontra em ruínas, é bem impactante.

A cidade foi fundada no século V d.C. pelo Rei Vakhtang I, rei da Ibéria. Lendas populares do país dizem que o rei foi caçar com o seu falcão real naquela região, que na época era coberta por uma floresta. Quando o falcão capturou a caça (que pode ter sido um cervo ou faisão), o animal ferido saiu correndo para uma fonte de água, curando-se dos ferimentos e fugindo. O Rei Vakhtang I ficou tão impressionado com a propriedade das fontes termais que decidiu cortar a floresta e construir uma cidade. O nome Tbilisi, que significa lugar das águas quentes, é uma homenagem às suas fontes termais.

As fontes termais de águas sulfurosas. As construções são em tijolos aparentes com os tetos em forma de cúpulas abobadadas.

Então, fui conhecer a região das águas termais sulfurosas em Tbilisi, no bairro de Abanotubani. Um lugar lindo, com várias casas de banho, de tijolos aparentes com os tetos na forma de cúpulas abobadadas. Eu não me banhei em nenhuma das casas, mas soube que possuem piscinas que são utilizadas separadamente por gênero, assim como salas privadas com ofurô, onde, ao relaxar, o viajante se dá conta de estar numa poça de água quente de enxofre. Além do ofurô, há ainda massagem e esfregação profissionais. As casas de banho trabalham com reservas antecipadas, assim que, se desejar usufruir dessa fascinante experiência, deverá buscar sites específicos e fazer uma reserva, tais como: http://chreli-abano.ge/?lan=en, https://www.facebook.com/bohemabath/ ou https://www.facebook.com/samefoabano/.

Uma das mais lindas casas de banho de Tbilisi é a Orbeliani Baths. No momento em que cheguei bem perto e na frente de sua linda fachada de azulejos azuis, emocionei-me. Sentei-me durante um longo período numa das mesas que ficam na frente da casa de banho, para descansar do percurso já feito a pé pela cidade, e senti uma felicidade enorme por ter conseguido colocar no meu roteiro de viagem a bela cidade de Tbilisi. Depois, solicitei à recepção da Orbeliani Baths autorização para tirar fotos da entrada da casa de banho e continuei meu passeio.

Uma das mais lindas casas de banho de Tbilisi: Orbeliani Baths.

Que tal marcarmos uma visita a Tbilisi? Estou certo que retornarei, pois vejo que ainda existe muito que viver e desfrutar naquela empolgante cidade. E o melhor: é um destino economicamente bem barato. Vamos?

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One thought on “

Tbilisi – Lugar das águas quentes”

  1. Cidade lindíssima com opções atraentes para o turismo. Apesar de não fazer parte do roteiro tradicional, tem todos os ingredientes para agradar o viajante.

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